COM AMOR, SIMON: POR QUE VOCÊ DEVE ASSISTIR?

COLUNA LORCA

POR CHARLES BERNDT

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Em abril de 2018 chegou aos cinemas do Brasil o filme Com amor, Simon (Love, Simon), baseado no romance Simon vs. the Homo Sapiens Agenda, de Becky Albertalli. Num primeiro olhar, pode parecer apenas mais uma comédia romântica adolescente, dentre as muitas que Hollywood produz. Contudo, devo dizer que não, o filme dirigido por Greg Berlanti e estrelado por Nick Robinson vai um pouco mais além, surpreendendo o espectador de diversas formas. Em primeiro lugar, o que nos surpreende é a densidade psicológica e dramática do filme, sobretudo com relação a Simon, a personagem principal, cujo drama é assumir sua sexualidade para a família, os amigos e os colegas da escola.

Seja como for, o filme não deixa de ter seus momentos de diversão, em que rimos e nos descontraímos. A homossexualidade de Simon, de fato, é o foco da história e o espectador o vai acompanhando pouco a pouco, em suas descobertas, ansiedades, receios e alegrias. Enfim, ali está a dor e a delícia de ser gay, mais do que isso, a dor e a delícia de ser jovem, adolescente, de viver uma fase intensa de descobertas e experiências que podem mudar a sua vida.

No desfecho, finalmente descobrimos a identidade do rapaz com quem Simon se comunica via e-mail durante todo o filme, de modo anônimo, que se identifica pelo pseudônimo de Blue. Numa roda gigante, acompanhados por uma plateia de amigos, os dois finalmente se encontram, conversam e trocam carícias.

De forma muito semelhante a filmes como Hoje eu quero voltar sozinho, Com amor, Simon nos encanta pela sua delicadeza, pela sua simplicidade e, paradoxalmente, pela sua complexidade, ao não encerrar questões, mas deixá-las em aberto. Enfim, um filme sobre a vida e seus amores, encantos e algumas dores. Assista e me escreva, por favor, com amor.