EDGE, DE SYLVIA PLATH, TRADUZIDO POR MARIANA BASÍLIO

Sylvia Plath completaria 86 anos hoje, 27 de outubro, e em sua homenagem a escritora Mariana Basílio presenteou-nos com a tradução do poema Edge, uma meditação sobre a morte, um dos últimos dois poemas escritos pela poeta americana antes de decidir morrer em 1963, aos 31 anos de idade.

 

LIMITE

A mulher está perfeita.
Seu corpo
Morto traja o sorriso de satisfação,
A ilusão de uma Grega necessidade

Fluindo nas linhas de sua toga,
Seus pés

Descalços parecem lhe dizer:
Chegamos tão longe, acabou.

Cada criança morta enrolada, uma serpente branca,
Uma em cada pequena

Jarra de leite, agora vazia.
Ela as recolheu

De volta em seu corpo como pétalas
De uma rosa se fecham quando o jardim

Se enrijece e os odores sangram
Das doces, profundas gargantas da flor noturna.

A lua não tem nada que a entristeça,
Olhando fixamente do seu capuz ósseo.

Ela está acostumada a isso.
Suas sombras crepitam e se arrastam.


EDGE

The woman is perfected.
Her dead
Body wears the smile of accomplishment,
The illusion of a Greek necessity

Flows in the scrolls of her toga,
Her bare

Feet seem to be saying:
We have come so far, it is over.

Each dead child coiled, a white serpent,
One at each little

Pitcher of milk, now empty.
She has folded

Them back into her body as petals
Of a rose close when the garden

Stiffens and odors bleed
From the sweet, deep throats of the night flower.

The moon has nothing to be sad about,
Staring from her hood of bone.

She is used to this sort of thing.
Her blacks crackle and drag.

[Sylvia Plath, “Edge” from Collected Poems. Copyright © 1960, 1965, 1971, 1981 by the Estate of Sylvia Plath]

 

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Mariana Basílio é escritora, poeta, ensaísta e tradutora. Nascida em Bauru, interior de São Paulo, em 1989.  Mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Publicou os livros de poesia Nepente e Sombras & Luzes. Colabora em portais e revistas nacionais e internacionais, tendo traduzido nomes como May Swenson, Alejandra Pizarnik, Edna St. Vincent Millay, Sylvia Plath e William Carlos Williams. Com patrocínio do prêmio ProAC (2017) do Governo de São Paulo, publicou em 2018 o seu terceiro livro, o poema longo Tríptico Vital. O projeto também foi finalista do programa de Residência Literária do SESC (2018). Mantém o site Mariana Basílio