À ESPERA – ROCCA

Lembra: de quando escapávamos em viagens, ignorávamos os filmes e estudávamos os gostos. Daquela vez que imaginamos os signos e os nomes ainda antes de decidirmos a cidade. De quando eram duas as horas em que nos arrumávamos e, nelas, a nossa hora e meia ocultos, estrechamente abrazados. Daquela comida que ele só fazia porque ela gostava, das rendas adornando o corpo dela porque ele curtia, do perfume que ele usa desde que ela escolheu. Do quinze de agosto de dois mil e dez, o inverno mais cálido. De Budapeste à Isla Negra, el uno había sonreído. Da derrocada: do êxtase absoluto à inesperada queda. Do vermelho tão quente pingando naqueles dias frios. Das quatro paredes brancas fazendo inverno os trezentos e sessenta e cinco dias do ano. De todos os tremores, la otra huía aterrada. De todas as lembranças que, de algum modo, chegavam a você. Dessa solitária estação com sua infinidade de dias e de horas. Da pausa à espera. Do silêncio dela, da esperança dele, do amor deles.

De las aventuras disímiles: hoje fez oito graus em Amsterdã, é verão.

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Rocca é escritora, editora de livros e assina a página Acasos