EDITORIAL

 Revista Vício Velho
Ano 00 • Nº 09 • Novembro de 2018

ESPECIAL
LA LLORONA
o: mes de los muertos

 


Destaque da cultura mexicana, são muitas as versões ao redor do mundo para a lenda de la llorona – que pra mim é uma das mais bizarras lendas urbanas -,  mas há um consenso em grande parte delas: uma mulher enlouquece e afoga os próprios filhos, morrendo junto deles, e desde então é vista como uma alma penada que chora copiosamente no meio da madrugada – enquanto balbucia ay mis hijos -, andando pela cidade, acercando-se a rios, atraindo à atenção de olhares bondosos que são ludibriados ao tentar ajudá-la, conduzindo os heróis à morte. Dizem que la llorona sequestra crianças com a intenção de barganhá-las por seus filhos biológicos, afogando-as também em um ritual de doação. Bizarro, não é? Não sei vocês, mas alma penada de gente enlouquecida não é algo que eu queria encontrar por aí…

O filicídio sempre foi, pra mim, o pior dos pesadelos de um ser humano empático. Acho pavoroso pensar na ideia de perder um filho e é ainda mais abominável quando o causador da morte é o mesmo que lhe deu à vida. Tema comum na origem oral das estórias que conhecemos hoje como “contos infantis”, o filicídio foi retratado em diversos relatos dos irmãos Grimm e do Charles Perrault, no século XIX, quando as estórias não eram feitas para entretenimento infantil, mas sim, provinham e propagavam-se na oralidade com único intuito: o de “educar” os cidadãos através do discurso de medo (de repente estou em 2018). Anos mais tarde, a Disney adaptou esses relatos alemães e franceses, trocando mães desertoras por madrastas cruéis e parentes demoníacos, devolvendo às progenitoras a condição de criaturas bondosas que, geralmente, morrem jovens padecendo de enfermidades, condenando involuntariamente os filhos à miséria de morar com seus algozes.

Fã incondicional de literatura e cinematografia de terror e horror, não poderia deixar passar o dia dos fiéis defuntos sem aproveitar a deixa para criar um especial literário endiabrado. Considerando o tema proposto – a morte real ou simbólica, o terror, o horror, o medo racional ou irracional, as almas penadas, Deus, o capiroto etc – convidei um pessoal um tanto quanto suspeito para nos contar algumas estórias um tanto quanto duvidosas (ou não).

Acomodem-se, escutem o que eles têm para falar.

Carolina Hubert
Editora-chefe

Bebendo o defunto comigo: Alê Motta, Aline Bei, André Balbo, André Toma, Angel Cabeza, Ângela Martins, Ângelo Santiago, Arthur Lungov , Beatriz Brassaroto, Bruno Ribeiro, Carlos Eduardo Pereira, Carlos Orfeu, Casé Lontra Marques, Charles Berndt, Daniel Perroni Ratto, Daniel Roessler, Dea Conti, Fábio Pessanha, Felipe Pauluk, Gabriel Martins, Henrique Wagner, Heyk Pimenta, João Paulo Parisio, José Santana Filho, Kelvis Santiago, Laís Reis, Leticia Santos, Liliane Prata, Maiara Leme, Malu Consolino, Marcelo Labes, Marcelo Maluf, Marcelo Montenegro, Marcia Barbieri, Marcio Dal Rio, Marcos Ramos, Marcus Cardoso, Mariana Basílio, Mauro Paz, Mike Sullivan, Nathalie Lourenço, Nêmesis Pareschi, Ondjaki, Oscar Nestarez, Pedro Tostes, Reinaldo Fernando, Rodrigo Novaes de Almeida, Rômulo de Freitas, Romulo Narducci, Saulo Ribeiro, Tarso de Melo, Tobias Carvalho, Tomaz Amorim Izabel, Viviane Beccaria, Wanda Monteiro, Wilson Coelho

P.S.: nosso total respeito à memória de Marielle Franco, que por aqui sempre será lembrada.