QUANDO DA MORTE DA AFILHADA DE NOSSA SENHORA APARECIDA – KATIA MARCHESE

Coluna | Senhoras Obscenas



Na lápide de cimento mole,
com palito de fósforo, escrevi teu nome:
Odete Rodrigues Salgado

Na tua casa, no tanque
a roupa aguardava desde ontem.
Silenciosa, lavei e torci as dores.

Tia, não lembro datas.
Teu nome, letreiro na memória
ficou maior que o tempo.

(os fatos deste rito são verídicos, não poéticos)

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Katia Marchese 
Facebook)Santos, 1962. Consta nas antologias Movimento Poetrix (Scorteci, 2004), Senhoras Obscenas I e III (Benfazeja, 2017 e Patuá 2019), Tanto Mar sem Céu – Laboratório de Criação Poética (Lumme, 2017), Casa do Desejo – A literatura que desejamos (Patuá-FLIP 2018). Poemas publicados nas revistas Germina, Musa Rara, Portal Vermelho e Zunái. Participa de tutorias com a escritora Ana Rusche e com poeta prof. Claudio Daniel, aluna do curso de Formação de Escritores CLIPE 2019-Casa das Rosas/Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Mora em Campinas, gestora pública.