Coluna | Precisão
No velório do avô a família distribuía acusações: uns não deram atenção à saúde do velho, outros nunca o visitaram, nem ao menos ajudaram nos remédios e consultas.
Um dos netos colocou sobre o caixão a bandeira do time de futebol e todos se abraçaram aos prantos. Não houve mais acusações, nem xingamentos. O time caiu para a segunda divisão e o avô ali, morto. O choro sofrido e o funga-funga ficou bonito de ouvir. Um velório de respeito.
São todos estúpidos e um tantinho culpados, mas se amam. São família.
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Alê Motta nasceu em São Fidélis, interior do estado do Rio de Janeiro. É arquiteta formada pela UFRJ. Participou da antologia 14 novos autores brasileiros, organizada pela escritora Adriana Lisboa. É autora de Interrompidos (Editora Reformatório, 2017) e Velhos (Editora Reformatório, 2020).