palavra : alucinógeno

esta coluna é escrita por fábio pessanha. aqui se falará de poesia. melhor. aqui se falará com poesia num diálogo aberto. escancarado. onde o poema será reescrito. onde o poema deixará de ser poema. onde o poema será ainda mais poema.

notas sobre uma escoliose hermética
o que se sabe sobre o que se precisa saber para ser um poeta
o trinado das palhas no alumínio
algumas inúteis observações sobre paixão e poesia
pequeno acervo de palavras apaixonadas por seus desvios
hilda hilst: como tudo que me falta e que me excede: vozes poéticas
fuligem e ferrugem
poetas arriscam mais
vozes de um poema profundamente político
aos cadáveres não sepultos
vozes cadeadas
uma conversa sem eira nem beira
manual descartável de como dizer poemas no escuro
espinho absurdo: breves delírios sobre um poema de eucanaã ferraz
desmonte composicional de imagens com a arquitetura poética de lucas rolim
amar um homem sincero e outras copertencas desde o poema de marcos siscar 
manoel de barros e os entulhos necessários ao poema
a sublimação do erro na clandestinidade de cali boreaz
“você nunca vai saber” esse poema de paulo leminski
“amanhã, eu viverei novamente” no poema de nina rizzi
a plena incompletude do que nos falta e se revela uma poética do tempo
em wanda monteiro
a solidão tumultuada das palavras num instante poético de case lontra marques

 

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Fábio Pessanha (Propriedade do Irreversível / Facebook) é poeta, doutor em Teoria Literária e mestre em Poética, ambos pela UFRJ. Publicou ensaios em periódicos sobre sua pesquisa, a respeito do sentido poético das palavras, partindo principalmente das obras de Manoel de Barros, Paulo Leminski e Virgílio de Lemos. É autor do livro A hermenêutica do mar – Um estudo sobre a poética de Virgílio de Lemos (Tempo Brasileiro, 2013) e coorganizador do livro Poética e Diálogo: Caminhos de Pensamento (Tempo Brasileiro, 2011). Tem poemas publicados nas revistas eletrônicas Diversos AfinsEscamandro, Ruído Manifesto, Sanduíches de realidade, Literatura & Fechadura e na própria Vício Velho.